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Análise econômica

IAs impactam economia brasileira

SYSTEM IMPORT05 abr 20258 min de leitura

Transformação digital em ação Nos últimos anos, a inteligência artificial (IA) tem assumido um papel central na transformação estrutural da economia global. De maneira geral, a IA pode ser definida como o ramo da ciência da computação dedicado ao desenvolvimento de sistemas capazes de realizar tarefas que normalmente exigiriam inteligência humana, como percepção, raciocínio, aprendizado e tomada de decisão (Russell & Norvig, 2021). A evolução dessa tecnologia não apenas acelerou processos produtivos, como também alterou a lógica de funcionamento de setores econômicos inteiros, tornando-se o motor principal de uma nova era: a corrida pela inteligência artificial. Inicialmente restrita a ambientes corporativos de alta complexidade ou a grandes centros de pesquisa, a inteligência artificial (IA) expandiu consideravelmente sua aplicação nas últimas décadas, impulsionada pelo avanço dos modelos de aprendizado de máquina ( machine learning ) e pelo aumento exponencial da capacidade computacional. Esse desenvolvimento técnico permitiu o surgimento de aplicações cada vez mais sofisticadas, culminando na ascensão de um subconjunto particularmente promissor da IA: a inteligência artificial generativa. A IA generativa refere-se a sistemas capazes de produzir conteúdo inédito – como textos, imagens, códigos, composições musicais e modelos de simulação – a partir de grandes volumes de dados, utilizando arquiteturas avançadas como redes neurais profundas ( deep learning ) e transformadores ( transformers ). Diferentemente de modelos tradicionais, que apenas classificam ou reconhecem padrões, a IA generativa busca replicar, ampliar e até criar processos cognitivos, abrindo caminhos inéditos para a automação criativa e a inovação em diversos setores. Por esse motivo, a IA generativa tem sido vista como uma tecnologia-chave do século XXI, objeto de intensos investimentos e disputas geopolíticas. A chamada corrida pela inteligência artificial tornou-se uma prioridade estratégica para nações e corporações, com implicações que ultrapassam o campo econômico, alcançando dimensões de segurança nacional, soberania digital e poder simbólico. Grandes potências como Estados Unidos e China disputam a liderança no desenvolvimento de modelos cada vez mais autônomos e potentes, enquanto a União Europeia busca estabelecer marcos regulatórios que assegurem o uso ético e responsável da tecnologia. Em paralelo, empresas globais competem por talentos, dados e infraestrutura computacional, consolidando um ambiente de inovação acelerada e assimétrica. É nesse contexto de intensa transformação e competição tecnológica que se insere o surgimento da DeepSeek , uma plataforma de código aberto lançada em 2024 que rapidamente ganhou relevância no ecossistema global de IA. Diferente das abordagens proprietárias dominantes, a DeepSeek propôs um modelo descentralizado de desenvolvimento e acesso à inteligência artificial generativa. Seu diferencial reside na capacidade de disponibilizar modelos altamente avançados, otimizados e de alta performance de forma aberta, gratuita e personalizável, permitindo que desenvolvedores, pesquisadores, instituições públicas e privadas – independentemente de seu porte – possam treinar, ajustar e implantar sistemas próprios de IA. Essa iniciativa representou uma inflexão importante na lógica de distribuição do poder tecnológico. Ao romper com o monopólio das grandes corporações sobre os modelos mais sofisticados de IA, a DeepSeek promoveu uma democratização do poder computacional e intelectual, incentivando a criação de soluções locais, adaptadas a contextos específicos, e estimulando a inovação descentralizada. Sua arquitetura aberta e colaborativa favoreceu a entrada de novos agentes no ecossistema de IA generativa, ao mesmo tempo em que reduziu barreiras de entrada técnicas e financeiras que limitavam o acesso a essa tecnologia de ponta. O impacto gerado pela DeepSeek foi expressivo e imediato. Economias emergentes, que historicamente enfrentam barreiras técnicas e financeiras para adotar tecnologias de ponta, passaram a ter acesso facilitado a ferramentas avançadas de IA. Como consequência, novos ecossistemas de inovação foram estabelecidos em países do Sul Global, impulsionando setores produtivos, acadêmicos e governamentais. Nos Estados Unidos, pequenas e médias empresas registraram aumentos de produtividade de até 30% com soluções baseadas na plataforma. Na Europa, a aplicação de IA generativa expandiu-se para áreas como agricultura de precisão, saúde pública digitalizada e gestão energética inteligente. Nos países em desenvolvimento, o efeito foi ainda mais profundo: com menor dependência de fornecedores internacionais e com a possibilidade de adaptar os modelos de IA às suas necessidades locais, essas nações passaram a explorar soluções tecnológicas sob uma lógica de soberania digital e inovação inclusiva. O Banco Mundial estima que, graças à difusão da IA – catalisada por plataformas como a DeepSeek – a economia global pode adicionar entre 7 a 10 trilhões de dólares ao seu produto agregado até o fim da década. Além da dimensão econômica, essa transformação também redesenhou a hierarquia de valor entre os setores. Enquanto a indústria tradicional experimentou ganhos incrementais em produtividade, setores ligados ao conhecimento – como ciência de dados, automação de serviços, educação personalizada e saúde preditiva – passaram a liderar a nova dinâmica econômica. A inteligência artificial deixou de ser vista como uma tecnologia emergente para se tornar uma infraestrutura transversal, isto é, uma base tecnológica que permeia múltiplas camadas da atividade humana e organizacional, moldando decisões estratégicas, otimizando cadeias produtivas e ampliando o potencial de inovação. Contudo, essa reconfiguração estrutural trouxe consigo desafios significativos. A demanda por profissionais especializados aumentou exponencialmente, acirrando a competição global por talentos na área de IA. Ao mesmo tempo, o debate sobre a governança algorítmica – ou seja, os princípios éticos, jurídicos e políticos que regulam o uso e a tomada de decisão por sistemas automatizados – tornou-se central nas discussões acadêmicas, empresariais e governamentais. A geopolítica digital também ganhou novas camadas, com países disputando não apenas infraestrutura, mas também dados e soberania tecnológica. Mesmo diante desses desafios, a inovação gerada por plataformas como a DeepSeek consolidou uma transição estrutural na economia global, inaugurando uma era em que capital intelectual, dados e capacidade computacional se tornam os principais vetores de geração de valor. É nesse contexto de transição global que o Brasil emerge como um ator relevante, com dinâmicas internas que refletem e, em certos aspectos, ampliam o impacto da IA sobre a economia nacional. Os efeitos dessa transformação já podem ser observados de maneira concreta no cenário brasileiro Em março de 2025, o impacto das inteligências artificiais (IAs) na economia brasileira já aparece em dados concretos. A adoção de IAs cresceu aceleradamente: em 2023, 74% das empresas brasileiras já haviam incorporado IA, frente a 61% em 2022. Esse movimento contribui para o forte desempenho de setores ligados à tecnologia. Em 2024, por exemplo, os serviços de informação e comunicação – que englobam telecomunicações e tecnologia da informação – cresceram 6,2%, ritmo bem superior ao do setor de serviços como um todo (3,1%). O Brasil também desponta como polo de inovação em IA, contando com 144 centros de pesquisa dedicados e ocupando o 15º lugar mundial em produção científica sobre IA. Os investimentos públicos no setor devem atingir R$ 22 bilhões até 2028, e cada real investido pelo governo atrai R$ 3,34 da iniciativa privada, demonstrando o potencial da IA em impulsionar a economia e a inovação. Entre as áreas com mais centros de pesquisa em IA estão a indústria e manufatura (30 centros), saúde (25) e gestão corporativa (20), evidenciando a importância estratégica da IA nesses segmentos. Empresas brasileiras já colhem ganhos de eficiência com a IA e mantêm forte otimismo. Uma pesquisa com executivos mostra que 44% das empresas no país já obtiveram resultados concretos com o uso de IA, e outros 46% esperam impactos ainda em 2025. Impulsionadas por esses retornos, 62% das companhias planejam aumentar os investimentos em IA em 2025 em comparação a 2024. As principais motivações para adoção das novas tecnologias são melhorar a experiência do cliente (objetivo de 64% das empresas) e elevar a produtividade (51%). Na prática, o benefício mais citado da IA foi justamente o aumento da produtividade e eficiência, apontado por 67% dos entrevistados, seguido da melhoria no atendimento ao cliente (46%). Esses ganhos vêm tanto da automação de tarefas repetitivas quanto do suporte à tomada de decisão. Estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) sugerem, inclusive, que a adoção ampla de IA pode elevar o PIB brasileiro em cerca de 5% na próxima década, graças a ganhos de eficiência e novos investimentos. No mercado de trabalho, a difusão da IA traz oportunidades e desafios. Segundo o FMI, cerca de 45% da força de trabalho brasileira está exposta às tecnologias de IA – proporção bem acima da média de outras economias emergentes (30%) – o que significa que quase metade dos empregos no país poderá passar por mudanças com a automação inteligente. Desse total, estima-se que 15% dos trabalhadores terão a IA como complemento, aumentando sua produtividade, enquanto 30% enfrentam risco de substituição por máquinas inteligentes. Por outro lado, estudos indicam que a IA deve gerar mais postos do que eliminar: até 2025, projeções apontam a criação de cerca de 2 milhões de novos empregos ligados à tecnologia, dada a necessidade de supervisão humana, treinamento de algoritmos e manutenção dos sistemas de IA. De fato, a introdução da IA tem impulsionado funções especializadas e aberto vagas em áreas antes inexistentes. Os trabalhadores mais qualificados tendem a se beneficiar: todos os níveis devem ter aumento salarial com a IA, mas os ganhos serão maiores entre quem tem alta especialização. Diante disso, a qualificação profissional tornou-se prioridade. A falta de profissionais capacitados é citada como barreira por 28% das empresas brasileiras, e muitas organizações já reagiram: 62% das empresas investem na capacitação de seus funcionários em habilidades de IA, e outras 35% planejam iniciar treinamentos específicos ainda neste ano. Em resumo, março de 2025 confirma que as IAs estão movimentando a economia do Brasil – estimulando crescimento setorial, elevando a produtividade e exigindo adaptação do mercado de trabalho – enquanto o país se posiciona para aproveitar ao máximo essa transformação tecnológica.