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Análise econômica

A crise institucional no Federal Reserve

SYSTEM IMPORT07 set 20253 min de leitura

Tentativa de Trump de demitir Lisa Cook gera tensão sobre independência do Banco Central Na noite de 25 de agosto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a demissão de Lisa Cook, economista e integrante do Conselho de Governadores do Federal Reserve (Fed). A medida, inédita na história recente do Banco Central americano, provocou forte repercussão política e econômica, abrindo questionamentos sobre a legalidade do ato e, principalmente, sobre a independência da autoridade monetária. Criado para operar de forma autônoma em relação ao Executivo e ao Congresso, o Federal Reserve conta com uma arquitetura institucional que protege seus dirigentes de pressões políticas diretas. Os mandatos longos e blindados contra interferências foram concebidos para garantir decisões técnicas voltadas à estabilidade de preços e ao pleno emprego, evitando desvios eleitorais de curto prazo. Trump, contudo, justificou a decisão alegando que Cook teria cometido “fraude hipotecária”, acusação levantada pelo diretor da Agência Federal de Financiamento Habitacional, Bill Pulte, e reforçada pelo promotor Ed Martin. Até o momento, Cook não foi formalmente acusada. Em comunicado, ela classificou a medida como “ilegal” e afirmou que permanecerá no cargo. Na manhã seguinte, o próprio Fed reiterou que Cook segue como membro legítimo do conselho e que qualquer afastamento só poderia ocorrer mediante decisão judicial. O Departamento de Justiça abriu investigação preliminar, mas sem indícios formais que sustentem a demissão. O episódio intensificou a percepção de que Trump busca ampliar o controle do Executivo sobre agências independentes. Desde o início de sua gestão, ele tem criticado a condução da política monetária, pressionando o Fed a acelerar cortes de juros. Para analistas, a tentativa de remover Cook se insere em um movimento mais amplo de politização do banco central, transformando-o em alvo de responsabilização pelos desafios econômicos atuais. Do ponto de vista jurídico, o caso é inédito. A Suprema Corte já reconheceu a possibilidade de presidentes demitirem dirigentes de agências independentes, mas também reforçou a natureza singular do Fed. A definição do que constitui “causa justa” para afastar um membro do Conselho de Governadores pode se tornar um marco para o equilíbrio entre autonomia técnica e poder político. Para os mercados, a crise gera incerteza. A confiança internacional no Fed é um dos pilares da credibilidade da economia americana. Se a independência da autoridade monetária for corroída, há risco de instabilidade nos preços dos ativos, fuga de capitais e deterioração das expectativas sobre inflação e crescimento. Quase 600 economistas assinaram uma carta pública em defesa da diretora do Federal Reserve, Lisa Cook e do Banco Central dos Estados Unidos, após a dirigente ter sua demissão anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma decisão que está sendo contestada pela diretora na justiça. Os economistas pedem que todos os ramos do governo defendam a lei e as normas que protegem a gestão econômica dos EUA, enfatizando que a demissão da diretora ameaça o princípio fundamental da independência do banco central e mina a confiança em uma das instituições americanas mais importantes. "Essa confiança é a pedra angular do sistema que impulsionou a vitalidade econômica da América ao longo das décadas", cita o documento. Mais do que uma disputa pessoal, a tentativa de demitir Lisa Cook coloca em risco um princípio central da economia dos EUA: a blindagem do banco central contra pressões políticas. A depender do desfecho, a relação entre Estado e política monetária pode sofrer mudanças profundas, com efeitos que extrapolam as fronteiras americanas.